{"id":726,"date":"2025-01-19T04:39:11","date_gmt":"2025-01-19T04:39:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fotoplus.com\/idart50\/?p=726"},"modified":"2025-02-05T05:16:00","modified_gmt":"2025-02-05T05:16:00","slug":"galeria-artigo-a-preservacao-documentada-da-memoria-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/?p=726","title":{"rendered":"Galeria: artigo &#8220;A preserva\u00e7\u00e3o documentada da mem\u00f3ria cultural&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">A preserva\u00e7\u00e3o documentada da mem\u00f3ria cultural.<br><em>Folha de S. Paulo<\/em>, 31.10.1976, Ilustrada, Artes Visuais, p.56.<br>editor Luiz Ernesto Machado Kawall<br>(<strong>texto integral<\/strong>)<br><br>Primeiro de uma s\u00e9rie de cinco artigos<br>com entrevistas e coment\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><br><br>Pioneiro no Brasil, pluridisciplinar e interdisciplinar, o IDART, banco-de-dados culturais da Prefeitura, d\u00e1 seguimento \u00e0s pesquisas iniciadas por M\u00e1rio de Andrade, Paulo Duarte e Sergio Milliet h\u00e1 40 anos em S. Paulo.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito Olavo Set\u00fabal foi conhecer o IDART, que funciona (mal instalado e pouco equipado) no andar t\u00e9rreo da Secretaria da Cultura, na rua do Carmo, antiga casa da marquesa de Santos. O secret\u00e1rio Max Feffer (nota: Secret\u00e1rio de Estado da Cultura) j\u00e1 prop\u00f4s um conv\u00eanio com o IDART em \u00e2mbito estadual. O governador Paulo Egidio, recentemente, encontrou-se com a diretora Maria Eug\u00eania Franco e colaboradores, em casa de um artista, a fim de conhecer os trabalhos e a equipe do IDART.<br><br>Afinal, o que \u00e9 o IDART? S\u00e1bato Magaldi, secret\u00e1rio da Cultura, responde a <strong>Artes Visuais<\/strong>: <br>&#8211; &#8216;O Departamento de Informa\u00e7\u00e3o e Documenta\u00e7\u00e3o Art\u00edsticas, IDART, da Secretaria de Cultura da Prefeitura de S\u00e3o Paulo foi projetado para constituir-se num Instituto de Documenta\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, pluridisciplinar e interdisciplinar.&#8217;<br><br>&#8211; &#8216;Experi\u00eancia pioneira no Brasil, sua fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, de acordo com a lei que o criou, [\u00e9] documentar a criatividade internacional e nacional, do passado e do presente, em dez campos de atividades art\u00edsticas e nas que se encontram com estas relacionadas, canalizando a recupera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, por via bibliotecon\u00f4mica, inicialmente, e, mais tarde, computerizada, pela forma\u00e7\u00e3o de um &#8216;banco de dados&#8217; &#8216;.<br><br>&#8211; &#8216;Abrange as seguintes disciplinas art\u00edsticas: <strong>Arquitetura<\/strong>, urbanismo, paisagismo; <strong>Artes C\u00eanicas<\/strong>: teatro, dan\u00e7a, circo, espet\u00e1culo em geral; <strong>Artes Gr\u00e1ficas<\/strong>: comunica\u00e7\u00e3o visual, comunica\u00e7\u00e3o urbana, tipografia, fotografia; <strong>Artes Pl\u00e1sticas<\/strong>: pintura, desenho, gravura, escultura, objeto, manifesta\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas diversas; <strong>Cinema<\/strong>, em suas realiza\u00e7\u00f5es v\u00e1rias; <strong>Comunica\u00e7\u00e3o de Massa<\/strong>: imprensa, r\u00e1dio, TV, publicidade e outros &#8216;m\u00eddias&#8217;;<strong> Desenho Industrial<\/strong>, em suas diversas \u00e1reas. <strong>Folclore<\/strong>, urbano e rural, e as v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de arte espont\u00e2nea; <strong>Literatura<\/strong>, quando em rela\u00e7\u00e3o com a <strong>Semi\u00f3tica<\/strong>, nesses v\u00e1rios campos art\u00edsticos; <strong>M\u00fasica e Som<\/strong>, em realiza\u00e7\u00f5es e\/ou manifesta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Na \u00e1rea internacional, seu programa prev\u00ea o desenvolvimento da DISCOTECA E BIBLIOTECA DE M\u00daSICA (criada por M\u00e1rio de Andrade em 1935) e a BIBLIOTECA DE ARTES (que Sergio Milliet idealizou, em 1945). Prop\u00f5e a atualiza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de seus acervos, m\u00e9todos de arquivamento, registro bibliotecon\u00f4mico e documental, a fim de ampliar, paralelamente, v\u00e1rios tipos de informa\u00e7\u00e3o, nas dez \u00e1reas art\u00edsticas de que se ocupa&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Para cobrir as car\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea nacional o projeto criou o CENTRO DE PESQUISAS DE ARTE BRASILEIRA, que: nos dez citados campos de criatividade, far\u00e1 o levantamento de nossas realiza\u00e7\u00f5es art\u00edsticas com o objetivo b\u00e1sico de &#8216;preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria nacional&#8217;. (N. da R.: o Centro \u00e9 dirigido pelo poeta, escritor, Professor de Literatura e teoria de comunica\u00e7\u00e3o D\u00e9cio Pignatari, do qual, oportunamente, publicaremos entrevista [sobre] objetivos setoriais do Centro.) (sic)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;O campo de pesquisas do Centro \u00e9, especificamente, a cultura da Grande S\u00e3o Paulo. A documenta\u00e7\u00e3o recolhida \u00e9 toda ela reunida no Arquivo Documental de Arte Brasileira, que dever\u00e1 armazenar e preparar, para uso, n\u00e3o apenas a documenta\u00e7\u00e3o levantada pelas pesquisas, como toda informa\u00e7\u00e3o sobre arte brasileira recebida de outras fontes.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Encontra-se o Centro de Pesquisas em fase de implanta\u00e7\u00e3o, tendo j\u00e1 realizado o programa correspondente \u00e0 cobertura documental de alguns dos principais eventos art\u00edsticos ocorridos no 1\u00ba semestre de 1976, em S\u00e3o Paulo.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Baseados nessa experi\u00eancia, o projeto sugere aos Estados a cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os semelhantes, Centros de Pesquisas de Arte Brasileira, de natureza regional, que estabeleceriam um sistema de permuta de informa\u00e7\u00f5es, por conv\u00eanio e, ao mesmo tempo, canalizariam os dados recolhidos para uma Central de Informa\u00e7\u00f5es sobre Arte Brasileira, a ser instalada em Bras\u00edlia, junto ao Centro Nacional de Refer\u00eancia Cultural da Funda\u00e7\u00e3o Cultural da Cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Paralelamente \u00e0s atividades de documenta\u00e7\u00e3o internacional e nacional, o IDART desenvolver\u00e1 um &#8216;Programa de Divulga\u00e7\u00e3o das Atividades Art\u00edsticas de S\u00e3o Paulo&#8217; j\u00e1 em fase priorit\u00e1ria. Encontra-se, em estudos, pela Assist\u00eancia T\u00e9cnica da Diretoria do Departamento, um tipo novo de &#8216;publicidade cultural&#8217;, que obedece a um crit\u00e9rio did\u00e1tico informativo.&#8217;<br><br>Esse programa prev\u00ea a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre os eventos art\u00edsticos da cidade de S\u00e3o Paulo, pela imprensa, r\u00e1dio, TV, cinema, ruas, esta\u00e7\u00f5es, metr\u00f4s, etc. Ter\u00e1, tamb\u00e9m, difus\u00e3o estadual, nacional e latino americana.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Cuidar\u00e1, ainda, o IDART de interc\u00e2mbio intensivo com institui\u00e7\u00f5es cong\u00eaneres, nacionais e internacionais.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;O IDART pretende editar publica\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios g\u00eaneros e instalar diversos laborat\u00f3rios, para venda a pre\u00e7o de custo, de c\u00f3pias de documentos recolhidos, como filmes, v\u00eddeo-tapes, fitas magn\u00e9ticas gravadas, fotos, micro-filmes, xeroc\u00f3pias, qualquer outro tipo de reprografia documental.&#8217;<br><br>&#8216;O ante-projeto de cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Informa\u00e7\u00e3o Art\u00edsticas e de autoria da cr\u00edtica de arte Maria Eugenia Franco, como diretora do extinto Departamento do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico-Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura. Para sua elabora\u00e7\u00e3o, consultou v\u00e1rios especialistas. E sua Diretora, a convite da atual administra\u00e7\u00e3o. (sic) Seu ante-projeto, criou, tamb\u00e9m, o Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, para preserva\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o espec\u00edficas da cidade de S\u00e3o Paulo, prote\u00e7\u00e3o a monumentos e obras de valor art\u00edstico hist\u00f3rico a semelhan\u00e7a do que realiza o IPHAN, do MEC, em n\u00edvel nacional.&#8217;<br><br><strong>A esperan\u00e7a da diretora M. E. Franco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Maria Eugenia Franco, cr\u00edtica de arte (&#8216;Folha da Manh\u00e3&#8217;, &#8216;O Estado de S. Paulo&#8217;, nos anos 40\/50), pr\u00eamio para o Melhor Trabalho Cr\u00edtico sobre a II Bienal de S\u00e3o Paulo, organizadora e diretora da Se\u00e7\u00e3o de Arte da Biblioteca Municipal, onde manteve, durante 30 anos, uma atividade cultural de reconhecida import\u00e2ncia para o nosso meio, \u00e9 a diretora do IDART. Ela diz a <strong>Artes Visuais<\/strong> que o IDART, sigla adotada para o Departamento de Informa\u00e7\u00e3o e Documenta\u00e7\u00e3o Art\u00edstica da Secretaria da Cultura, nasceu na administra\u00e7\u00e3o do prefeito Colasuonno, sendo Secret\u00e1rio Municipal da Cultura, interino, Luiz Mendon\u00e7a de Freitas, que como Secret\u00e1rio dos Neg\u00f3cios Extraordin\u00e1rios, havia transformado o antigo Departamento Municipal de Cultura em Secretaria Municipal de Cultura.<br><br>&#8211; &#8216;H\u00e1 40 anos quando Paulo Duarte, M\u00e1rio de Andrade e outros, com apoio do Prefeito Fabio Prado, criaram o Departamento Municipal de Cultura, nada existia, no campo cultural das institui\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo. Agora, o Departamento estava atrofiado. A cria\u00e7\u00e3o da Secretaria Municipal de Cultura foi important\u00edssima: concretizou uma possibilidade de desenvolvimento das atividades culturais da Prefeitura de S\u00e3o Paulo. Garantiu-lhes maiores verbas e uma amplia\u00e7\u00e3o das estruturas t\u00e9cnicas e administrativas. For\u00e7ou a descentraliza\u00e7\u00e3o para favorecer a expans\u00e3o das v\u00e1rias \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Quando estudei [a] lei da nova Secretaria, verifiquei que a Discoteca Municipal e a Biblioteca de Arte, criadas, respectivamente, por M\u00e1rio de Andrade e Sergio Milliet: uma, h\u00e1 40 anos, outra, h\u00e1 30 anos, continuavam exatamente com a mesma estrutura, ou seja, t\u00e3o atrofiadas quanto antes.<br><br>P &#8211; Qual foi sua atua\u00e7\u00e3o, diante desse fato:<br>R &#8211; Imediatamente, a do apelo, a do respeito de aux\u00edlio, a do protesto. Creio que tenho feito isto minha vida toda, pelas institui\u00e7\u00f5es da Prefeitura. Com a colabora\u00e7\u00e3o, esclarecida de Lenira Fracarolli, criadora e organizadora e ex-diretora da Biblioteca Infantil de S\u00e3o Paulo, falei com Dulce Sales Cunha Braga que, com sua arg\u00facia de sempre, percebeu a import\u00e2ncia do problema, levando-o a Dr. Luiz Mendon\u00e7a de Freitas e ao Prefeito Miguel Colasuonno. Fui ouvida por Dr. Freitas com excepcional aten\u00e7\u00e3o a uma aguda compreens\u00e3o de tudo que lhe expus. Dias depois, o Prefeito me convidou para dirigir o Departamento do Patrim\u00f4nio art\u00edstico-Cultural, aonde se encontravam as institui\u00e7\u00f5es cuja defesa havia assumido. Inicialmente, recusei a honra do convite. Queria me dedicar a pesquisas, a trabalhos pessoais. Mas senti que n\u00e3o tinha o direto moral e cultural de negar minha colabora\u00e7\u00e3o. Conhecia o &#8216;interior&#8217; dos problemas, e o convite me garantia plena liberdade para reformular o Departamento. Era uma oportunidade rara, que me permitiria, talvez, conseguir coisas de interesse p\u00fablico, pelas quais sempre lutei, algumas vezes sem resultados.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Felizmente, deu certo: a &#8216;vis\u00e3o aberta&#8217; encontrada na administra\u00e7\u00e3o do prefeito Miguel Colasuonno e a lucid\u00edssima colabora\u00e7\u00e3o de Dr. Luiz Mendon\u00e7a de Freitas transformaram meu anteprojeto em lei. Gra\u00e7as, tamb\u00e9m, ao apoio total de S\u00e1bato Magaldi, ao aux\u00edlio t\u00e3o firme da APCA, \u00e0 aten\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios especialistas que consultei e \u00e0 compreens\u00e3o da C\u00e2mara Municipal. Mas, \u00e9 justo lembrar-se: a lei foi sancionada pelo Prefeito Olavo Setubal, um homem que teve a superioridade de aprovar o projeto de seu antecessor, colocando os interesses culturais acima da competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, num gesto rato e nobre.&#8217;<br><br>P &#8211; De onde nasceu seu projeto do IDART?<br>R &#8211; &#8216;Talvez tenha sido o resultado do &#8216;amadurecimento&#8217; de experi\u00eancias e viv\u00eancias pessoais. Dirigi, durante trinta anos, uma Biblioteca Pluridisciplinar de Arte, e o &#8216;in\u00edcio&#8217; de um Arquivo Documental de Arte Brasileira, onde comecei o registro dos eventos art\u00edsticos de S\u00e3o Paulo e da obra dos nossos artistas. Foi tudo logo paralisado, por falta de verba e de funcion\u00e1rios. Fiz tamb\u00e9m um est\u00e1gio de seis meses, em 1948, no Setor de Documenta\u00e7\u00e3o da UNESCO, ainda muito em come\u00e7o, naquele ap\u00f3s guerra. Nessas duas atualiza\u00e7\u00f5es, vi e vivi sempre, &#8216;dificuldades&#8217; funcionais, operacionais e materiais, para as tarefas do pesquisador, em institui\u00e7\u00f5es de natureza &#8216;para-universit\u00e1ria&#8217;.&#8217;<br><br>&#8216;Por isso, no anteprojeto que elaborei, procurei definir uma estrutura org\u00e2nica, juridicamente protegida, de forma a dar aos programas culturais de trabalho, \u00e0s pesquisas, sobretudo, condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o progressivas. Continuava a tradi\u00e7\u00e3o do &#8216;esp\u00edrito de pesquisa&#8217; iniciado, no Departamento de Cultura, por M\u00e1rio de Andrade, com a colabora\u00e7\u00e3o de Oneyda Alvarenga e Luiz Sala.<br><br>Mas programei um organismo pluridisciplinar, justamente  para impedir a tend\u00eancia que t\u00eam os especialistas de se fecharem em seu campo de atividades, como se fosse um mundo \u00fanico. A cultura, at\u00e9 mesmo em \u00e1reas espec\u00edficas, como as disciplinas art\u00edsticas, \u00e9 pluridisciplinar e, muitas vezes, interdisciplinar. \u00c9 uma estrutura global, formada por vasos intercomunicantes. Deste conceito partiu meu projeto do Centro de Pesquisas de Arte Brasileira e do IDART, concebido tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da arte internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 curioso que, ignorando o projeto de Aloisio Magalh\u00e3es, para a Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Bras\u00edlia, e ele, meu projeto, imaginamos organismos semelhantes, em sua preocupa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: a de preserva\u00e7\u00e3o da &#8216;mem\u00f3ria&#8217; nacional. Mas os projetos regionais poder\u00e3o &#8216;alimentar&#8217; no futuro, o Centro Nacional de Refer\u00eancia Cultural.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>P &#8211; Como se desenvolvem as pesquisas e a escolha dos pesquisadores?<br>R &#8211; &#8216;Os pesquisadores s\u00e3o escolhidos por curr\u00edculo, exigindo-se forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, especializada na \u00e1rea em que dever\u00e3o trabalhar. Meu projeto inicial tinha dez \u00e1reas (estamos trabalhando com oito) e seis pesquisadores em cada \u00e1rea, para recolherem dados sobre o presente e o passado da vida art\u00edstica paulista. Temos apenas a metade. Havia proposto, tamb\u00e9m, a contrata\u00e7\u00e3o de estudantes, como &#8216;auxiliares de pesquisa&#8217;. Eles nos fazem muita falta para tarefas mais simples. Os pesquisadores mais experientes deveriam ser aproveitados para a an\u00e1lise da documenta\u00e7\u00e3o recolhida, preparando publica\u00e7\u00f5es e outros &#8216;m\u00eddia&#8217; de divulga\u00e7\u00e3o, para aproveitamento integral do material coletado. H\u00e1 v\u00e1rios &#8216;n\u00edveis&#8217;, num trabalho concebido em grande escala.&#8217;<br><br>&#8211; &#8216;No IDART, a programa\u00e7\u00e3o \u00e9 decidida por um colegiado de especialistas, que constituem um &#8216;Conselho de Pesquisas&#8217;. Este Conselho \u00e9 formado por mim, como Diretora do Departamento, os Assistentes T\u00e9cnicos, Lais Moura, e Jur\u00eddico da Diretoria, procuradora Maria de Lourdes Ferreira, pelo diretor do Centro de Pesquisas, D\u00e9cio Pignatari, e os supervisores de cada \u00e1rea especializada, cujos nomes s\u00e3o citados adiante. Nossas reuni\u00f5es foram essenciais, sobretudo nos primeiros meses, para definirmos, num trabalho de equipe as diretrizes gerais e particulares da escolha dos temas a serem pesquisados e o desenvolvimento das v\u00e1rias tarefas.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Estamos realizando, talvez, um programa in\u00e9dito, no Brasil, ao nos propormos estudar e documentar os v\u00e1rios campos de cultura art\u00edstica de S\u00e3o Paulo, tomada como laborat\u00f3rio de uma experi\u00eancia de est\u00e9tica sociol\u00f3gica: levantamento e an\u00e1lise pluridisciplinar e interdisciplinar de uma cultura art\u00edstica urbana, surgida numa cidade industrial brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Tive uma forma\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica (Escola de Sociologia e Pol\u00edtica e uma experi\u00eancia marcante: assisti a aulas de Claude L\u00e9vi-Strauss). Talvez, por isso, penso muito em ter, em nossa equipe, especialistas em est\u00e9tica sociol\u00f3gica, para um enfoque cient\u00edfico, sob o \u00e2ngulo sociol\u00f3gico, do material que est\u00e1 sendo levantado por n\u00f3s.&#8217;<br><br>&#8211; &#8216;Quanto aos pesquisadores, ser\u00e3o garantidos seus &#8216;direitos autorais&#8221; e a &#8216;prioridade&#8217; ao uso de elementos recolhidos, quando iniciadores de um trabalho, individualmente ou em equipe.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Ainda n\u00e3o temos as condi\u00e7\u00f5es ideais de trabalho. N\u00e3o se monta um Centro de Pesquisas t\u00e3o complexo, num ano apenas. Nos faltam ainda um local adequado, salas climatizadas para Arquivos, Oficinas gr\u00e1ficas, Laborat\u00f3rios de som, fotografia e microfilmagem. Toda a estrutura operacional e t\u00e9cnica, enfim. Tamb\u00e9m os equipamentos para o Arquivo Documental e os m\u00e9todos de armazenagem de documentos precisam ser rigorosamente estudados. N\u00e3o temos a infra-estrutura indispens\u00e1vel.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; &#8216;Mas, depois da visita do Prefeito Olavo Setubal e de um importante encontro do IDART com o governador Paulo Egidio Martins, passei a acreditar um pouco mais no futuro do nosso Departamento.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1reas e supervisores do Centro de Pesquisas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1reas do Centro de Pesquisas de Arte Brasileira do IDART, e respectivos supervisores e equipes, s\u00e3o estas:<br><br><strong>Arquitetura e Desenho Industrial<\/strong> &#8211; Supervisor, arquiteto Claudio da Rosa Ferlauto; pesquisadores: arquitetos Bluette Fortes Santa Clara, Jo\u00e3o Batista Novelli Junior, Luiz Otavio Zamarioli e Otavio Saito.<br><br><strong>Artes C\u00eanicas <\/strong>&#8211; Supervisora: Maria Thereza Vargas; pesquisadores: Carlos Eugenio Marcondes de Moura, Claudia de Alencar Bittencourt, Linneu Moreira Dias e Angela Muraro Alves de Lima (sic).<br><br><strong>Artes Gr\u00e1ficas<\/strong> &#8211; Supervisor: Fernando Lemos; pesquisadores: Eduardo de Jesus Rodrigues e Hermelindo Fiaminghi, e Julio Plaza.<br><br><strong>Artes Pl\u00e1sticas<\/strong> &#8211; Supervisor: Raphael Buongermino Netto; pesquisadores: Daisy Valle Machado Peccinini, Maria Vanessa Rego de Barros Cavalcanti, Radha Abramo, Regina Helena Dutra Rodrigues Ferreira da Silva e Sonia Pietro.<br><br><strong>Arte Popular<\/strong> &#8211; Leila Coelho Frota.<br><br><strong>Cinema<\/strong> &#8211; Supervisor: Carlos Roberto Rodrigues de Souza; pesquisadores: Eliana de Oliveira Queiroz, Jos\u00e9 Carvalho Motta e Zulmira Ribeiro Tavares.<br><br><strong>Comunica\u00e7\u00e3o de massa<\/strong> &#8211; Supervisor: Decio Pignatari; pesquisadores: Carlos Alberto Valero de Figueiredo, Eliana Lobo de Andrade Jorge, Fl\u00e1vio Luiz Porto da Silva, Maria Luisa Biandy Vercesi (sic) e Rita Okamura.<br><br><strong>Literatura e Semi\u00f3tica<\/strong> &#8211; Supervisora: Lucr\u00e9cia D&#8217;Alessio Ferrara; pesquisadores: Cristine Marie Tedeschi Conforti Serroni, Din\u00e1 Yoshizak, Erson de Martins de Oliveira, Norval Baitello Junior.<br><br><strong>M\u00fasica e Som<\/strong> &#8211; Supervisor: Mastro Damiano Cozzella; pesquisadores: Dorot\u00e9a Machado Kerr, Fernando C. Duarte e Ricardo Lobo de Andrade.<br><br><strong>Arquivo documental<\/strong> &#8211; Supervisora: Maria Jos\u00e9 Camargo de Carvalho<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns are-vertically-aligned-top is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:74%\">\n<p><strong>Fonte<\/strong>:<br>A preserva\u00e7\u00e3o documentada da mem\u00f3ria cultural.<br><em>Folha de S. Paulo<\/em>, 31.10.1976, Ilustrada, Artes Visuais, p.56.<br><a href=\"https:\/\/acervo.folha.com.br\/digital\/leitor.do?numero=6020&amp;anchor=5868860\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/acervo.folha.com.br\/digital\/leitor.do?numero=6020&amp;anchor=5868860<\/a> &nbsp;(acesso para assinantes)<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:26%\">\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1537\" height=\"2304\" src=\"http:\/\/www.fotoplus.com\/idart50\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/19761031-FSP-apreservacaodocumentada-p56.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-812\"\/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A preserva\u00e7\u00e3o documentada da mem\u00f3ria cultural.Folha de S. Paulo, 31.10.1976, Ilustrada, Artes Visuais, p.56.editor Luiz Ernesto Machado Kawall(texto integral) Primeiro de uma s\u00e9rie de cinco artigoscom entrevistas e coment\u00e1rios. Pioneiro no Brasil, pluridisciplinar e interdisciplinar, o IDART, banco-de-dados culturais da Prefeitura, d\u00e1 seguimento \u00e0s pesquisas iniciadas por M\u00e1rio de Andrade, Paulo Duarte e Sergio Milliet &hellip; <a href=\"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/?p=726\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Galeria: artigo &#8220;A preserva\u00e7\u00e3o documentada da mem\u00f3ria cultural&#8221;&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[249,168,71,219,166,70,44,169,252],"tags":[231,47],"class_list":["post-726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-auxiliar-de-pesquisa","category-biblioteca-de-artes","category-centro-de-pesquisas-de-arte-brasileira-contemporanea","category-centro-nacional-de-referencia-cultural-cnrc","category-discoteca-municipal","category-idart","category-politica-de-pesquisa","category-secaode-arte-bmma","category-solar-da-marquesa-de-santos","tag-max-feffer","tag-olavo-setubal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=726"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":926,"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/726\/revisions\/926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fotoplus.com\/idart50\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}